minutos de feitiçaria


Aliens & borgs

Nenhum povo que tenha entrado em contato com a civilização ocidental, do séc. XV pra cá, saiu imune a este contato. Todas passaram a ter no Ocidente o seu horizonte inevitável - desejado ou esconjurado. As sociedades capitalistas são como corpos contagiosos para as outras culturas.

Os aliens dos filmes Alien e os borgs de Jornada nas estrelas são uma espécie de metáfora do capitalismo ocidental e seu poder de desestruturar e incorporar a identidade do outro contra a sua vontade. Aliens e borgs são extra-terrestres terríveis que incorporam (pelo contato físico) os seres humanos para a sua espécie. A única solução para tal ameaça é o extermínio dos alienígenas e é este o objetivo da Ten. Ripley em relação aos aliens e do Cap. Picard quanto aos borgs.

Em termos de horror, o cálculo e a frieza dos borgs talvez superem a violência sanguinária e instintiva dos aliens, que são antes uma espécie que uma civilização: a monstruosidade civilizada é sempre mais horrível que a animalesca. Os povos "bárbaros" e "primitivos" que tiveram contatos imediatos com o os colonos e exploradores ocidentais que o digam.



Escrito por Wilton às 10h19
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A seita secreta

A poesia de hoje está nos blogs, uma forma fácil e sem custos para publicá-la. Há uma rede de blogs poéticos na net: você entra em um e, a partir dos links que ele te oferece vai conhecendo outros e assim sucessivamente. O blog (e o site) foi a solução para se atingir o público leitor da poesia, pequeno e disperso.

O blog é uma forma de publicar que também vem de encontro com o modo de interação entre literatura e sociedade hoje em dia. A literatura é muito mais uma seita secreta para iniciados que uma igreja católica para todos. É secreta não porque suas bruxarias sejam feitas em segredo, mas porque, para entendê-las, para se conectar com elas, é preciso uma disposição de espírito (pra usar um termo antigo) pra coisa. Esta disposição exige, além de simpatia, uma certa aplicação num aprendizado ao mesmo tempo técnico e sensível, de longo prazo (a vida toda). Poucos sentem atração/desejo por este duro aprendizado escrito.

Talvez a literatura sempre tenha sido assim: de e para poucos. Mas ela tinha uma ambição iluminista de ser para todos e as pessoas alfabetizadas sentiam a pressão de dever ler a boa literatura. Hoje as pessoas não mais se sentem coagidas a lê-la. Apenas artistas e especialistas em texto a lêem. As pessoas em geral buscam satisfazer seus desejos de poesia na canção pop e os de narrativa na TV e no cinema.

Só os escritores (poetas, narradores e críticos) parecem não perceber o caráter incontornável da literatura atual: o de seita secreta, restrita a iniciados. Quando percebem (porque é óbvio demais) não aceitam o fato e colocam a culpa no subdesenvolvimento, nas elites, na nossa falta de cultura - como se no Primeiro Mundo a situação fosse diferente. Os escritores ainda têm o sonho iluminista de uma igreja católica literária - católico aqui, no sentido de universal. Colocam-se como os apóstolos da literatura.

Para os escritores, aceitar que o texto literário seja para poucos seria incorrer num elitismo inaceitável. Seria concentrar injustamente uma riqueza que deveria ser distribuída a todos. Eles acreditam que a literatura é um bem necessário às pessoas em geral, que as enriquece e as salva. Talvez ela realmente salve os iniciados que, sem dúvida, precisam dela, assim como o feiticeiro e seus aprendizes têm na bruxaria uma prática vital para eles. Como o cientista não pode viver sem a ciência e nem o artesão sem o artesanato. Como algmas pessoas não concebem sua vida sem o rock, outras sem a música sertaneja, outras sem a MPB... O fato de os iniciados terem sido salvos pela literatura não quer dizer que todos o sejam.

A literatura não é uma riqueza absoluta e os que detêm este conhecimento não formam um grupo de privilegiados. O iniciado em literatura, seja leitor ou escritor, não é melhor ou pior que os outros homens.



Escrito por Wilton às 09h40
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O feiticeiro

O feiticeiro não é um sábio, mas um explorador do caos e do incerto. É o espírito de margem que se apossa das pessoas.

Escrito por Wilton às 12h20
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